Não leve seus liderados a estudar a vida de grandes homens de Deus do passado, como David Brainerd e Hudson Taylor. Trate tudo o que já existiu como meros lampejos do que essa geração certamente virá a ser.
Além disso, pra que lançar sobre nossos jovens um sentimento de culpa por uma possível comparação com os irmãos moravianos, por exemplo? Vamos levá-los a se sentir príncipes e princesas de Deus, gerados para conquistar!
No muito, use esses exemplos para empolgar os seus jovens com os resultados que podem produzir para o reino de Deus, mas não recomende a eles o caminho das pedras que levou aqueles gigantes da fé a terem sido o que foram.
Afinal, eles podem pregar como Jonathan Edwards somente à base de encontros de adoração profética (Jonathan o quê?...).Falando sério: Sobre a imagem que abre esse post, Deus queira que essa geração seja realmente uma geração de adoradores. Nada contra, muito pelo contrário. O problema é que quando dizemos que essa "É" a geração que vai fazer a diferença, isso pressupõe um sentimento de superioridade com relação às gerações passadas, e esse sentimento alimenta uma sutil prepotência, que é o que estou denunciando aqui.
Não invista em conceitos tipo simplicidade, confiança, obediência e humildade.
Comparando a vida com um campeonato de futebol, você deve fazer com que seus liderados sonhem acordados com a idéia de jogar uma final no Maracanã e, enquanto isso, deixe de prepará-los para as partidas da vida jogadas contra “times pequenos” nos campos esburacados, com juiz contra e sem o apoio da torcida.
Não invista em exercícios espirituais que não trazem reconhecimento, a exemplo da oração secreta, da leitura bíblica e do evangelismo pessoal. O que queremos é fazer com que todos se sintam agentes transformadores do mundo! Entendeu? Do MUNDO! Não é coisa pouca, não...
Salvar uma alma por vez é um resultado muito lento, insignificante até. Um ou dois amigos de classe por ano indo para o inferno é um sacrifício perfeitamente justificado pela nobreza da causa de conquistar as nações.
Falando sério: Nada contra a idéia de querer impactar as nações com a mensagem de Jesus. Isso pelo menos significa que essa geração está querendo fazer algo relevante para Deus, e isso é muito bom! O alerta que faço aqui é o de que a cabeça dessa geração pode estar tão voltada para "grandes coisas" que se esqueça de ser fiel nas pequenas responsabilidades. Deus não usará para essas "grandes coisas" quem não souber dar conta das pequenas. Quem não ora pelo menos 30 minutos por dia e sonha em impactar uma nação inteira está apenas se iludindo. Minha agonia é saber que essa vida ainda tem uma chance de não ser desperdiçada.
Forge seus jovens e adolescentes para serem ativistas a caminho do inferno.
Aliás, a eternidade é um mero detalhe, não é mesmo?
Falando sério: É claro que faz parte da vida Cristã a mordomia sobre a natureza e a luta por justiça social. Mas daqui a cem anos não importará quantos de seus liderados você conseguiu engajar na militância contra o capitalismo selvagem, mas quantos você conduziu a Cristo para a vida eterna. Por amor a Deus e a essa galera, priorize a salvação!
Mostre aos seus jovens exemplos de pessoas ímpias, como Ghandi, que fizeram a diferença no mundo e, assim, incentive-os a liberar seu potencial humano. Deixe-os empolgados com vídeos sobre campanhas humanitárias e ambientais promovidas por incrédulos para que, enfim, percebam que a chave para a transformação do mundo está nas mãos da própria humanidade. Para não ficar feio demais, reserve ao Espírito Santo uma cadeira de expectador no fundo da sala e cite-o de vez em quando como “convidado de honra” para assistir como nos sairemos bem com nossos revolucionários projetos de impacto global.
Falando sério: Somente um jovem cheio do Espírito Santo será capaz de causar algum impacto social e ao mesmo tempo transferir toda glória de si mesmo para Deus.
Traga a luta contra mundo para o campo de batalha do mundo e utilize as mesmas armas. A idéia é atrair jovens ávidos por diversão com... diversão!
Ora, quem quer ter uma juventude composta de apenas meia dúzia de sedentos de Deus? Não é melhor ter centenas de jovens em nossos cultos, ainda que essa centena saia dos cultos à noite direto para a noitada?
Se quisermos uma juventude bombando, não adianta insistir com atividades chatas, como sermões expositivos e oração. É diversão neles!
Falando sério: Deixemos claro qual é o nosso objetivo como líderes de jovens: fazer de nossos liderados homens e mulheres cheios do Espírito Santo. Podemos (e devemos) usar as mais variadas modalidades de arte nos cultos, mas a medida aferidora do que será válido ou não deve ser sempre o quanto essa utilização contribuirá para a consecussão desse objetivo.
Que pregação é chato, todos sabem que é. Mas, para não dizer que não tem (e aí o pastor buzina), vamos colocar a mensagem (15 minutinhos no máximo!) no final do culto, depois de todo mundo cantar até perder a voz. Não adianta que jovem não gosta de pregação. Jovem gosta é de música! Vamos dar a eles o que querem. Afinal, o louvor transforma! Deu um branco: a Palavra faz o que mesmo?...
Falando sério: Adorar a Deus através da música é muito bom e deve ser feito com toda intensidade, como frutos de lábios que confessam o Nome do Senhor (Hb 13.15). Mas a adoração em Espírito em verdade exige o conhecimento da verdade, e esse conhecimento vem através da exposição da Palavra de Deus (Jo 17.17). Somente a ministração poderosa da Palavra de Deus sob a unção do Espírito (antes, durante ou depois do louvor) pode, de fato, mudar as nossas vidas.
Critique sua igreja, seu pastor, sua denominação (se não tiver, critique a denominação dos outros), enfim, deixe claro que você e seus liderados são o único grupo que está agradando a Deus. Assim, eles desenvolverão uma importante virtude cristã: a sensação de resistência heróica contra a dominação diabólica da maioria.
Confie firmemente no seu próprio coração e encare toda e qualquer crítica como anátema. Seus liderados vão imitá-lo tão direitinho que se esquecerão de que deveriam seguir a Cristo, e não a você.
Falando sério: muitas vezes será necessário levantar a voz profética para denunciar o pecado no mundo e até na igreja. Só que existe o risco de adentrarmos tanto por esse lado que comecemos uma “caça-às-bruxas” evangélica. Então, ao invés de formar liderados humildes e mansos, faremos com que cresçam extremamente críticos contra tudo que não segue a nossa cartilha, e geralmente nossa cartilha é obtusa e imatura, o que só iremos perceber mais tarde.
Fonte: http://fugadelaodiceia.blogspot.com
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